Toque de recolher para conter covid-19 entra em vigor na fronteira do Brasil com Uruguai

Toque de recolher para conter covid-19 entra em vigor na fronteira do Brasil com Uruguai

O novo surto de coronavírus levou Sant'Ana do Livramento, no lado brasileiro da fronteira com o Uruguai, a passar a primeira noite sob toque recolher. No final da noite desta segunda-feira (15/06), a Secretaria de Saúde confirmou outros nove casos. A prefeita da vizinha uruguaia Rivera avalia que "falta de unidade de critérios" entre governos municipal, estadual e federal no Brasil dificulta o combate ao vírus na fronteira.

Nesta terça-feira (16/06), todos os comércios que não forem essenciais na cidade gaúcha de Sant'Ana do Livramento vão permanecer fechados. Será o primeiro de 15 dias de uma fase de restrições que começou na noite anterior com um toque de recolher entre as 22 horas e as 5 da manhã. A cidade amanheceu no novo ritmo imposto pelo crescente número de contágios: nove casos somaram-se, totalizando 81, dos quais 44 estão ativos.

Por enquanto, o novo surto fez vítimas com sintomas leves, permitindo alívio à cidade. Dos 25 leitos de UTI, restam apenas 10 disponíveis, um número que faz acender o alarme em Sant'Ana do Livramento.

A cidade brasileira levantou a bandeira vermelha (alto risco de contágio) no sábado, a partir de determinação do governador Eduardo Leite que administra o sistema de distanciamento controlado do governo gaúcho.

O prefeito Solimar "Ico" Charopen Gonçalves (PDT) discordou da decisão, hesitou em desobedecer, mas decidiu acatar primeiro para discutir depois. Nesta segunda-feira (15/06), emitiu o decreto de calamidade pública que estabelece normas rígidas de distanciamento social como toque de recolher e o fechamento do comércio não-essencial. Mesmo o comércio essencial terá de trabalhar com um número reduzido de funcionários.

"Durante o fim-de-semana, ocorreram várias festas noturnas. Em função disso, foi implementado esse toque de recolher. Eu não acho legal porque as pessoas deveriam ter tomado consciência antes de as coisas saírem de controle. É uma situação desconfortável e triste, mas a gente tem de acatar", avaliou à RFI Fernando Ravara (50), brasileiro morador de Sant'Ana do Livramento.

"Estavam fazendo churrasco e reuniões à noite. As pessoas não se conscientizam. Então, o toque de recolher é bom. Acho positiva a medida. Devido ao intenso frio, a quantidade de pessoas nas ruas nesse horário já era menor", considera Laura Cabrera Gariglio, uruguaia moradora de Rivera, para quem o impacto maior para as pessoas será com o fechamento do comércio.

"As pessoas estão mais preocupadas com o comércio fechado do que com o toque de recolher", afirma.

Pressão brasileira sobre o Uruguai

O decreto também implementa barreiras sanitárias nas estradas que chegam ao município que atrai o turismo de compras devido aos "free shops" do lado uruguaio de uma fronteira que consiste em atravessar uma rua. A partir de agora, ônibus e vans com turistas não poderão passar.

"Os comerciantes em Livramento também não acham que seja justo eles fecharem enquanto Rivera continuará aberto porque, dizem, as pessoas irão consumir do lado uruguaio. Tanto o toque de recolher quanto o fechamento de comércios só têm sentido se forem dos dois lados", explica Laura Gariglio à RFI.

O prefeito brasileiro quer que a sua colega uruguaia de Rivera, Alma Galup, também feche o comércio.

"O objetivo é trabalhar de forma conjunta porque o que acontecer em Livramento, vai acontecer em Rivera. Não vamos conseguir controlar o vírus se não for de forma conjunta", advertiu Ico Charopen em entrevista coletiva com a imprensa.

Fonte: Opera Mundi